A IBM deu mais um passo em direção a sua ambiciosa meta de criar um processador que funcione como o cérebro humano, criando um segundo chip, mais avançado, que imita a forma como o cérebro dos mamíferos opera.

“É um novo marco no desenvolvimento dos computadores inspirados no funcionamento do cérebro”, disse Dharmendra Modha, cientista-chefe da pesquisa e Fellow do IBM Research.

 

Pesquisadores da Cornell Tech ajudaram a projetar o chip, apresentado esta semana na revista Science. “Nossa arquitetura é projetada para aproximar a estrutura e a função do cérebro em silício, sem deixar de ser eficiente em termos de energia”, disse Modha.

Uma vez fabricado em escala comercial, o TrueNorth pode atuar como sensor de baixo consumo de energia (apenas 70mW durante o funcionamento normal) para uma variedade de dispositivos portáteis e embarcados. “Ele pode se tornar o cérebro de silício para a” Internet das Coisas”, disse Modha. “Isso pode transformar a experiência móvel como a conhecemos hoje”, completa.

O processador também pode ser implantado em grandes supercomputadores para aumentar a velocidade da aprendizagem de máquina e outras operações de computação baseadas em redes neuronais.

O protótipo do TrueNorth foi fabricado pela Samsung usando um processo de litografia de 28 nanômetros. Tem 5,4 bilhões de transístores simulando uma rede com 4,096 núcleos “neuro sinápticos”, oferecendo o equivalente a 256 milhões de sinapses. O projeto anterior, de 2011, tinha cerca de 260 mil sinapses.

A IBM montou 16 desses chips juntos em quatro matrizes, de quatro por quatro. O conjunto oferece o equivalente a 16 milhões de neurônios e 4 mil milhões de sinapses. O experimento serviu para mostrar como o projeto poderá ganhar escala facilmente.

Segundo a IBM, o TrueNorth  representa uma ruptura radical na concepção da arquitetura von Neumann de computação, onde os cálculos são feitos em série. No novo chip, cada “núcleo neuro snáptico” tem a sua própria memória (“sinapses”), um processador (“neurônio”) e um canal de comunicação (“axônios”), capazes de funcionar em conjunto a cada evento. Trabalhando em conjunto, os núcleos conseguem fornecer reconhecimento de padrões diferenciados e outras capacidades de detecção, da mesma forma como o cérebro faz.

Ao exigir tão pouca energia ‒ menos do que o exigido por um aparelho auditivo ‒ abre-se uma vasta gama de potenciais usos. O TrueNorth pode ser incorporado em um dispositivo móvel ou em um sensor, para fazer o reconhecimento de objetos combinando dados auditivos, visuais ou multi sensoriais. Tarefa computacionalmente intensiva que, hoje em dia, necessita de um servidor dedicado. “O sensor torna-se o computador”, ilustra Modha.

fonte: http://idgnow.com.br/